MINORIAS

Abecásia (Geórgia)

Sob os argumentos de que teria sido forçadamente anexada à Geórgia pelo regime stalinista em 1931, a Abecásia adquiriu sua independência de facto em 1992, após conflito desencadeado com a Geórgia. Os georgianos, no entanto, consideram a região como uma parte indissociável de seu território, tendo apenas a Federação Russa, a Nicarágua, a Venezuela e, mais recentemente, a minúscula República de Nauru reconhecido sua declaração de independência.

Ao passo que a Rússia concede aos abecásios uma série de privilégios, dentre eles a obtenção facilitada da nacionalidade russa, não se pode dizer o mesmo de grande parte da comunidade internacional. Recentemente, diversas ameaças de sanções foram feitas à Federação Russa pela União Europeia, como forma de represália ao apoio dado aos separatistas da Abecásia e da Ossétia do Sul.

Aborígenes (Austrália)

Os Aborígenes da Austrália possuem uma população de aproximadamente 460.000 pessoas, que representa cerca de 3% da população total da Austrália. Trata-se de uma população nativa, sendo maior grupo indígena ali existente. Esse povo acabou sofrendo pela violência massiva, sendo ao longo dos tempos extremamente discriminado, seja desde a chegada dos ingleses à região, seja aos tempos atuais.

Sendo membros fundadores da UNPO, são representados pelo Comitê Nacional para Defender Direitos dos Negros (NCDBR). Vale ressaltar que apesar de terem sofrido por um longo período, possuem um ideal e métodos pacíficos de lutar pelos seus direitos. Nessa perspectiva também almejam sua autodeterminação e direitos territoriais, tendo como sua principal aliada a lei. Ou seja, pautam suas ações essencialmente em conceitos e fundamentos jurídicos e não na violência.

Afrikâners/Bôereres (África do Sul)

Os Africânderes são descendentes de holandeses, alemães e ingleses que se estabeleceram ao sul da África, com pretensões de constituir uma sociedade ideal. Com cerca de 3 milhões de pessoas reunidas no território do África do Sul e em outros países africanos, permaneceram boa parte do século XVII na região da Colônia do Cabo sob domínio holandês.

Encontramos na história desse povo uma alternância de dominação e submissão, uma vez que suas aspirações de constituírem um povo superior de cultura elevada e diferenciada os levaram à perseguição de outros povos, como também estiveram sob controle britânico à época imperialista, durante o século XX.

Hoje os bôeres ainda lutam pela autodeterminação para preservar sua identidade como povo e em 2008, os africânderes foram admitidos na UNPO e são representados pela “Freedom Front” em defesa das minorias, contra a discriminação e violência.

Assíria (Iraque, Turquia e Síria)

Os assírios são uma verdadeira nacionalidade de ascendência mesopotâmica. Desde a queda da sua capital, Nínive, 25 séculos atrás, eles sobreviveram à opressão e ao massacre no Oriente Médio. Considerados sobreviventes, sua identidade racial foi suprimida, seu estatuto político anulado, e sua posição social derrogada a de uma minoria. Os assírios não são árabes, curdos ou muçulmanos. Trata-se de um povo que o idioma decorre do aramaico, são cristãos e herdaram tradição e cultura dos impérios da Assíria e da Babilônia, na Mesopotâmia. Toda nação assíria está espalhada sobre o norte do Iraque, no norte do Irã, sudeste da Turquia e na Síria meridional.

Baluchistão Ocidental (Irã)

Baluchistão Ocidental é um território ocupado, anexado ao Irã. Os Impérios Britânico e Persa dividiram Baluchistão, uma das áreas mais antigas de civilização humana, em esferas de influência durante o século XIX. Em 1928, Baluchistão Ocidental foi anexada ao Irã por Reza shah Pahlavi. Hoje, da área habitada de Baluchistão, as maiores porções são repartidas entre Irã, Paquistão e Afeganistão (os últimos que juntos formam o Grande Baluchistão).

Durante a dinastia Pahlavi, iniciou-se a centralização do estado baseada em características que governaram o Irã na época, como a proeminência da linguagem persa e religião xiita, o que deixou a população Baluchistão em status de dominada.

O povo Balochistão não é representado no governo central em Teerã, e falta diálogo entre Estado e este povo acerca do desejo de autonomia e auto-determinação. Há muitas alegações acerca de operações militares iranianas, incluindo deslocamentos de massas, desaparecimentos, tortura, prisões, assassinatos e execuções de indivíduos Balochistaneses. Este povo é privado de seus direitos culturais, sociais e econômicos, e vive marginalizado.

Na UNPO, a representação se dá desde 2005, pelo Partido Popular Baluchistão (BPP, Balochistan People’s Party, em inglês), movimento nacional democrático que tem lutado para alcançar a soberania do povo Baluchistão dentro do Irã.

 

Cabinda (Angola)

Cabinda integrou a Organização dos Povos e Nações Não Representados em abril de 1997, através de sua representação: a Frente de Libertação do Enclave de Cabinda/Forças Armadas de Cabinda (FLEC/FAC). O seu pequeno território de 7.283km² faz fronteira com a República do Congo, ao norte, e com a República Democrática do Congo (RD Congo) ao sul e ao leste, estando o Oceano Atlântico a oeste. Sendo uma das 18 províncias de Angola, Cabinda abriga uma população de cerca de 300.000 pessoas, dentre elas 20.000 são refugiados.

Camarões do Sul (Camarões)

Representado na UNPO pelo Conselho Nacional dos Camarões do Sul, é uma organização política que luta pela soberania e a independência da região, também conhecida como Ambazônia.

Ex-colônia alemã, foi divida entre a França e o Reino Unido após a 1ª Guerra Mundial; o território britânico, por sua vez, foi divido em Camarões do Sul e Camarões do Norte. Camarões do Sul foi administrado como parte integral da Nigéria. O inicio da vida democrática na região ocorreu de forma restrita ao plano local; e em 1953, ocorreu a Conferência de Camarões do Sul, que enviou uma petição ao Reino Unido para que houvesse a separação da região de Camarões do Sul e a classificação da região como território sob tutela das Nações Unidas.

Já no contexto da descolonização africana, os Camarões britânicos se viram diante de um empasse com os membros das Nações Unidas, que lhe impuseram duas condições: ou se uniam a Camarões Francês (La Republique du Cameroun) ou à Nigéria, países que haviam conquistado sua independência recentemente. Em 1961, realizou-se plebiscito tanto em Camarões do Norte quanto em Camarões do Sul, ocorrendo a unificação do Camarões do Norte com a Nigéria e a unificação do Camarões do Sul com o Camarões Francês. A República Federal do Camarões (RFC) foi criada a partir da Conferência de Foumban, que acordou os termos de autonomia regional em um Estado plural. Porém, em 20 de maio de 1972, o presidente da RFC organizou um referendo anexando o Camarões do Sul ao antigo Camarões Francês, acabando com o sistema federativo dos acordado em Foumban.

A dominação francófona da Republique du Cameroun levou a emergência dos movimentos de libertação, liderados pelo Conselho Nacional do Camarões do Sul, que busca a independência da região pela “força do argumento, e não o argumento da força”; pressiona pela autonomia dos Camarões do Sul e a restauração do sistema federativo, sendo opositora ao regime repressivo deBiya e aos atos de tortura, assassinato, exílio forçado e prisões indiscriminadas.

 

Chechênia (Rússia)

Cenário de um dos conflitos internos de maior proporção dos últimos anos, a Chechênia – também denominada República Chechena da Ichkéria – teve sua independência unilateralmente declarada por um grupo que se autodenominou como um governo legítimo. No entanto, nenhum país reconhece a legitimidade da declaração – o reconhecimento dado pela Geórgia durante o governo de Zviad Gamsakhurdia (1991-1992) durou apenas um curto espaço de tempo.

Cordillera (Filipinas)

Situada nas Filipinas, o território da Cordillera é constituído por algumas províncias que se localizam na montanha mais alta e extensa do arquipélago. Sua população descende dos Igorot (povo da montanha) que tinham uma forte ligação com a terra, por considerá-la fonte de vida. A região da Cordillera é rica em recurso naturais, o que propiciou o desenvolvimento da agricultura, da mineração e da geração de energia hidroelétrica. A região, no entanto, vem sofrendo problemas ambientais decorrentes dos projetos de barragens e da exploração mineral.

A Aliança dos Povos da Cordillera (APC) foi constituída para representar esse povo na UNPO, pleiteando pelos meios pacíficos conhecidos o reconhecimento dos direitos indígenas e a formação de uma região autônoma da Cordillera, esses são pontos constantes na agenda adotada pela APC. Em 2001, houve uma aproximação das partes, governo filipino e APC, para acordar sobre a construção de um suntuoso projeto de barragens, o que significa conquistas no âmbito do reconhecimento da autodeterminação do povo Igorot.

Curdistão Iraniano (Irã)

Os curdos, assim conhecidos por ocuparem a antiga região do Curdistao, são uma etnia de maioria muçulmana sunita, embora ao sul do Curdistão Iraniano existam muitos curdos que são muçulmanos xiitas. No que corresponde ao território iraniano as pretensões de independência do povo curdo vem sendo constantemente sufocadas pelo governo do Irã. Em 1979, a Revolução Islâmica que retirou do governo o xá Reza Pahlevi, chamou a atenção da sociedade internacional àquela região, invocando uma nova jihad (guerra santa). Durante o novo regime o exército iraniano sob o comando de Ruhollah Khomeini massacrou milhares de curdos e confiscou seus territórios, além de restringir seus direitos de autodeterminação. Na UNPO, o Curdistão Iraniano é representado pelo Partido Democrático do Curdistão Iraniano.

Curdistão Iraquiano (Iraque)

O Curdistão apresenta uma área ampla que se encontra dividida em países do Oriente Médio (Irã, Iraque, Turquia e Síria). No Iraque a área ocupada pelos curdos é de aproximadamente 36.000 km², tendo como capital do Curdistão Iraquiano a cidade de Erbil. Vale ressaltar que apesar do nome, no Curdistão Iraquiano não estão presentes apenas curdos, mas diversas etnias. Há no Iraque um total de 4 milhões de Curdos.

Na mesma região do Iraque, além dos Curdos existem os Turcomenos do Iraque, que é a terceira maior etnia do país. Nesse mister, há a situação de violência entre as próprias minorias, visto que os Turcomenos sofrem com a violência e ataques dos Curdos, que acabam destruindo e expulsando aqueles das cidades.

Os curdos possuem um passado recente baseado em guerras e problemas relacionados à sua autonomia e autodeterminação. Estes buscavam a formação de um Estado Curdo, o que não veio a acontecer. Dessa maneira, parte do Curdistão foi anexada ao Iraque, o que mais tarde, por meio de Saddam Hussein, veio a ser amplamente questionado e combatido. Nesta perspectiva, diversos curdos foram assassinados, mas acabaram, ao fim da Guerra do Golfo, logo em 1991 ingressando no âmbito da UNPO, sendo representados pelo Partido Democrático Curdo (KDP) e a União Patriótica do Curdistão (PUK), os quais apresentam enormes diferenças, mas que com os passar dos anos tem assimilado alguns ideais.

Ambos os partidos utilizam a UNPO como meio para difundir os ideais do povo curdo, mas não se prendem aos meios pacíficos de prevenção de conflitos. Assim, preferem valer-se de meio violentos para lutar pela sua autodeterminação, o que vai de encontro aos ideais internacionais.

Havaí (Estados Unidos da América)

Ao longo dos anos o povo do Havaí manteve uma cultura distinta partilhada entre as ilhas de Nihau, Kauai, Oahu, Molokai, Lanai, Kahoolawe, Maui. Os havaianos são descendentes de polinésios que chegaram às ilhas em 200 dC e contam atualmente com uma população de cerca de 1,2 milhões de pessoas. Após a ocupação militar do arquipélago, os EUA anexaram definitivamente o Havaí como território americano. E mesmo um século após a derrubada ilegal do governo havaiano, os Estados Unidos ainda não concederam aos havaianos o direito à autodeterminação. Esse povo é excluído da política estadunidense pela qual o índio americano e o nativo do Alasca são reconhecidos pelo governo e, além disso, é conferida a competência jurídica e econômica sobre suas terras e recursos naturais.

Khmer Krom (Vietnã)

Os Khmer Krom são o povo indígena do Delta do Rio Mekong, compartilhando origem próxima aos povos deste rio no Camboja. No entanto, a dissolução da possessão colonial francesa da Cochinchina, o território do Khmer Krom foi incorporado ao Vietnã em 1949, e não ao Camboja. Assim, o povo Khmer Krom é visto no Vietnã como cambojano e no Camboja como vietnamita.

O governo socialista do Vietnã impôs processo pelo qual o status dos Khmer Krom passou de proprietários de terra a trabalhadores braçais que recebem menos de um dólar por dia, vivendo dez vezes abaixo da linha da pobreza. Sofrendo severas restrições linguísticas e religiosas, tendo seus nomes alterados para vietnamês e restringindo o tradicional Budismo Theravada Khmer; a língua e os monges Khmer Krom são vistos pelas autoridades vietnamitas como uma ameaça a integridade territorial.

Os Khmer Krom reconhecem a impossibilidade de um Estado independente na realidade internacional contemporânea, buscando outras formas de autodeterminação, procurando proteger a cultura, a religião, as tradições e a identidade dos Khmer Krom.  Considerando o objetivo dos Khmer Krom em relacionar com outros povos (incluindo os vietnamitas) de maneira pacífica, harmoniosa, respeitosa, compreensiva e cooperativa inclui os vietnamita, uma opção viável é autonomia com o envolvimento da comunidade internacional; a própria participação na UNPO e no Conselho de Direitos Humanos da Nações Unidas (através do mecanismo de Revisão Periódica Universal sobre as violações do Vietnã) exemplificam sua atuação neste sentido.

 

Kosovo (Sérvia)

O Kosovo é uma região situada na Península Balcânica, mais precisamente no sul do território da antiga Iugoslávia. Com 88% de sua população (estimada em 2.2 milhões) formada por pessoas de origem albanesa e uma minoria de 7% de linhagem sérvia. A história do povo kosovar foi escrita sob a égide de complexos conflitos e de inúmeras ocupações estrangeiras desde o Império Romano até os dias de hoje, passando pela Sérvia e pela Iugoslávia.

Em 2008 o Governo Autônomo da Assembléia do Kosovo declarou a independência da região. A República do Kosovo, desde então, já foi reconhecida por mais de 60 países (incluindo 22 dos 27 membros da União Européia e os Estados Unidos da América), sendo a Rússia e a Sérvia seus maiores opositores. Com o objetivo principal de propiciar sua autonomia e almejando a sua possível ascenção a membro das Nações Unidas, o Kosovo, representado pela Liga Democrática do Kosovo (LDK), se tornou membro da UNPO em 1991.

Maasai (Quênia e Tanzânia)

Os Maasai são um grupo indígena seminômade que vive na região do Quênia e no norte da Tanzânia. Conhecido por seu apego a tradições e costumes particulares e por sua resistência à influência estrangeira, o povo Maasai tem sua população estimada em 900 mil pessoas (dado de difícil verificação, tendo em vista o seu modo de vida seminômade e a localização remota de suas vilas), tendo sua língua própria (também chamada de maasai) e vivendo em uma estrutura social nitidamente patriarcal.

O povo Maasai se tornou membro da UNPO em 2004 e é representado nesta por três organizações. Essa representação se dá principalmente pela atuação do “The Maasai Women for Education and Economic Development” (MAWEED) que é uma organização não-governamental que foca a sua ação na defesa dos direitos das mulheres maasai e no direito a educação para a juventude do grupo indígena. As outras duas organizações que representam acessoriamente o povo em questão são o “Mainyoito Pastoralist Integrated Development Organisation” e o “Kitengela Ilparakuo Land Owners Association”.

Mapuche (Chile e Argentina)

Mapuche é a maior comunidade indígena da América do Sul, formando uma população distribuída entre os territórios chileno e argentino. A cultura Mapuche é fortemente delineada pela religião e sua economia é basicamente agrária. Sendo a única tribo a resistir à dominação do Império Inca, os Mapuche (“Mapu” terra, “Che” povo, isto é, povo da terra) tiveram que lutar também contra os colonizadores espanhóis, luta essa que lhes concedeu a independência, reconhecida em 1641 pelo Tratado de Quilin. Este período de reconhecimento, no entanto, só durou até 1881, quando o Chile fortalecido com as vitórias contra Bolívia e Peru, começou a avançar pelo território indígena. Com o financiamento inglês, o exército chileno subjugou os Mapuche, que perderam sua independência num processo de pacificação colonialista.

Desde 1993 a Nação Mapuche vem sendo representada na UNPO pelo Conselho Interregional, formado por representações locais mapuche, no sentido de melhorar o padrão de vida de sua população, discriminada principalmente nos centros urbanos, de preservar sua cultura e de tentar resgatar suas terras, bem como lutar pelo direito à autodeterminação de maneira pacifica por meios legais e não-violentos.

Minoria Grega na Albânia

A região europeia dos Bálcãs que hoje compreende os estados grego e albanês faziam parte do estado de Epiros, dominado por mais de 500 anos pelo Império Otomano. Em 1912 a Albânia foi reconhecida como Estado independente e iniciou-se um processo de demarcação de fronteiras, a minoria grega que vivia ao sul deste novo país ficou sob território albanês e a região por ela ocupada foi chamada de Epiros do Norte, que teria governo próprio, de acordo com o Protocolo de Corfu.

Em 1921, após as demarcações territoriais, o Estado albanês lançou uma declaração de proteção às minorias, mas foi acusado de não respeitá-la. Desta forma, ocasionou-se um desconforto em suas relações com a Grécia, que não queria admitir o ingresso da Albânia na ONU até a resolução das questões de fronteira que anexaria os Epiros do Norte à Grécia.

Em meados da Segunda Guerra Mundial, a Albânia foi submetida ao regime comunista e ficou sob o governo do ditador Enver Hoxha. Este período foi marcado por violações aos direitos humanos, que foram de restrições aos cidadãos albaneses a perseguições às minorias.

No inicio da década de 1990, com a queda do regime comunista, Grécia e Albânia iniciaram uma série de negociações para resolver as questões das minorias em seus respectivos Estados, resultando em 1995 em um acordo para a formação de um tratado de amizade e de uma comissão que regulasse o trabalho sazonal de albaneses na Grécia.

A minoria Grega na Albânia é representada na UNPO pela União Democrática da Minoria Étnica Grega na Albânia (OMONIA) e reivindica seu reconhecimento como minoria, bem como seus direitos de viajar para seu país de origem e de preservar sua cultura no local onde vivem.

Minoria Húngara na Romênia

Consistindo na mais expressiva minoria étnica na Romênia, a minoria Húngara – também conhecida como etnia magiar – consiste em cerca de 20% da população da região da Transilvânia, que até o estabelecimento do Tratado de Trianon, fazia parte do Reino da Hungria, extinto em 1946. O último censo da Romênia – de 2002 – apontou que 1.431.807 cidadãos romenos se consideram húngaros.

Apesar de possuírem uma quantidade até considerável de habitantes em outras regiões do país, o grande impasse enfrentado pela minoria húngara na Romênia se dá efetivamente na Transilvânia. A disputa da região por romenos e húngaros chegou a atingir vias de políticas discriminatórias e ataques violentos de ambas as partes durante a II Guerra Mundial.

Posteriormente, um governo comunista subiu ao poder na Romênia em 1945, permanecendo até 1989. Neste meio tempo, os direitos dos húngaros étnicos passaram a ter valores iguais nos campos econômico, político, jurídico, social e cultural garantidos pela constituição, o que culminou até mesmo na criação de uma região autônoma Húngara, que durou de 1952 até 1968.

A partir de determinado ponto, o novo governo passou a rever sua política para com as minorias. Muitos passaram a ser discriminados em seus postos de trabalhos, e alguns até mesmo expulsos de suas casas, o que impulsionou um fluxo emigratório para a Hungria. Após a queda do regime comunista, seguiu-se a criação da Aliança Democrática dos Húngaros na Romênia (da sigla em inglês, DAHR – Democratic Alliance of Hungarians in Romania), no intuito de dirigir os interesses da comunidade Húngara no processo de democratização da Romênia.

É através da representação da DAHR na UNPO que esta minoria objetiva a criação de um governo local, autonomia cultural e territorial e o direito à autodeterminação. Apesar da aliança não gozar do status de partido político, no período 1996 até as eleições de 2008 na Romênia, a DAHR sempre foi parte integrante ou apoio do governo romeno. Após isso, passou a fazer parte da oposição, o que pode vir a dificultar posteriores acordos de autonomia.

Nagalândia (Índia e Mianmar)

A Nagalândia é representada na UNPO pelo Conselho Nacional Socialista de Nagalim (ou de Nagalândia). O Conselho Nacional Socialista de Nagalim (CNSN) é uma organização política fundada em 1980 por nacionalistas Nagas para liderar a luta de libertação nacional do povo Naga contra a violência e o conflito Indo-Naga, que mata dezenas de nagas anualmente. O surgimento do CNSN foi o culminar do anseio do povo Naga para ter uma organização forte e unificada nacionalmente para liderar a luta. O objetivo fundamental do movimento de libertação do Conselho é permitir que o povo Naga tenha o direito inalienável à autodeterminação nacional para encerrar a opressão e a exploração, e para formar, sempre que possível, uma união política com outras nações com base na igualdade, respeito dos interesses mútuos e no princípio de associações voluntárias. Para os Nagas, a busca pelo seu direito à autodeterminação é justa e legítima. A aspiração do povo para recuperar a sua liberdade fundamental está em consonância com o princípio consagrado na Carta das Nações Unidas. O CNSN está lutando para permitir que o povo Naga possa desfrutar deste direito fundamental e pôr fim à opressão indiana. O CNSN afirma que o compromisso para este objetivo é baseado em um princípio democrático, em que o povo Naga é dotado com o direito de decidir o tipo de soberania que querem viver e do tipo de união política que eles querem para formar com outros povos. O CNSN reitera que a luta do povo Naga não é dirigida contra quaisquer pessoas, mas contra o sistema de opressão. Na verdade, o CNSN e o povo Naga estão comprometidos com a causa nobre de estabelecer bases para a união de povos livres com base na sua vontade livremente expressa.  O NSCN tornou-se membro da UNPO em 1993.

Pigmeus Batwa (Ruanda)

Os Batwa são um povo pigmeu, também conhecido como Twa, que vivem basicamente em Ruanda, na região conhecida como Grandes Lagos. A sua população, neste país, representa basicamente 0,4% da população total, o que alcança algo entre 20.000 a 27.000 habitantes. Também são encontrados em países como Uganda, na República Democrática do Congo, a República Centro-Africana, Camarões, Guiné Equatorial, Gabão, Congo, Angola, Botsuana, Namíbia e Zâmbia.

Sua cultura e filosofia baseiam-se na vivência coletivista, pela qual defendem a desigualdade social e tem sua subsistência baseada na caça. Entretanto, nas últimas décadas esse povo vem sendo molestado, principalmente pela sua saída das florestas (que não foi espontânea) e pelo genocídio ocorrido em Ruanda, durante a Guerra Civil em 1994. Os Batwa são marginalizados, sendo sua quase totalidade representada por pessoas carentes social e economicamente. Isto decorre do tratamento desumano que é dado a eles pelas etnias majoritárias, que são a Hutu e a Tutsi.

Nessa perspectiva de opressão e falta de humanidade, os Batwa possuem ideais isolacionistas e pacifistas, almejando assim, defender e garantir seus direitos, mesmo com as dificuldades sociais enfrentadas através da ampla marginalização. Visto que não possuem representação política devido à não aceitação por parte dos administradores políticos, que acreditam que esse reconhecimento ensejaria um tribalismo em Ruanda.

No âmbito da busca por uma situação melhor, os Batwa criaram a Associação para a Promoção da Batwa (APB), onde através dela, em Janeiro de 1993, ingressaram na UNPO. Vale ressaltar que essa associação deu base para a criação da Comunidade dos Povos Indígenas de Ruanda (CAURWA), que recentemente virou Comunidade dos Potters Ruanda (COPORWA), importante pela promoção e proteção dos direitos das pessoas e ajudar a gerar renda suficiente para o paupérrimo povo Batwa. Hoje, este povo, junto com a UNPO, busca sua autodeterminação através de políticas pacifistas que tem na sua essência a defesa de seus direitos mínimos, que são deixados a margem da sociedade em Ruanda.

Sandzak (Sérvia e Montenegro)

Sandzak (ou Sanjak) é uma região localizada entre as fronteiras da Sérvia e de Montenegro, onde esses últimos englobam respectivamente 6 e 5 municípios daquela. Possui uma população de cerca de 400.000 habitantes, onde deste total, 51% são muçulmanos bósnios e tem sua capital na cidade de Novi Prazar. A região tem uma estrutura étnica complexa e difícil de ser analisada, sofrendo durante anos com diversos conflitos devido a este fator. Entre esse período, ocorreu a Guerra da Iugoslávia, na qual Sandzak, por ser uma área de reduto mulçumano acabou sofrendo com diversos ataques, onde milhares de pessoas foram mortas. A violência abrangia desde repressões sociais como também políticas, bem como a censura à mídia, que veio a gerar instabilidade democrática.

Sandzak é representada no âmbito da UNPO pelo Conselho Nacional Bósnio, que se tornou membro em 1993, e a partir daí vem defendendo e lutando para o fim dos conflitos e insegurança existentes na região, predominantemente de origem muçulmana.

Scania (Suécia)

Situada no sul da península escandinava, a Scania consiste em quatro províncias – Skåne, Halland, Blekinge (Suécia) e na ilha de Bornholm (Dinamarca) – e é formada por cerca de 1,5 milhões de habitantes. Sua principal cidade regional é Malmö.

A Scania está representada na UNPO pelo Stiftelsen Skånsk Framtid (SSF), fundada para promover a região como uma entidade cultural distinta da Suécia no mundo. O SSF subscreve as idéias fundamentais da União Européia, acreditando que o patrimônio cultural deve ser protegido através da autodeterminação regional em todas as áreas da sociedade e aplicável a todos os povos e nações. Na UNPO, a Scania vem desenvolvendo defesa à autodeterminação pela não-violência, acreditando que qualquer tipo de método não-pacífico utilizado por membros da organização deverá ser punido até com a expulsão da Organização das Nações e Povos Não Representados.

Sindis (Paquistão)

 A nação de Sindh deriva seu nome do rio Sindhu (agora mais conhecido como o rio Indo). Nos textos dos Vedas antigo, escritos sobre o Indo, o rio Sindhu é apontado como um dos rios mais sagrados do sul da Ásia.

Apesar de repetidamente invadida pelos hunos, gregos, árabes, persas, turcos, mongóis e, mais recentemente, pelo Inglês, Sindh tem se esforçado para manter a sua autonomia. Através de suas tradições, incluindo a língua, cultura e modo de vida, os sindis têm buscado a igualdade de direitos e segurança para si, através de esforços persistentes, não-violentos.

Os Sindis são representados na UNPO pelo Instituto Mundial Sindi. O Instituto Mundial Sindi (WSI) está empenhado em promover os direitos humanos para os sindis de Sindh, no sudeste do Paquistão através de uma defesa não violenta, ativista e através de campanhas acadêmicas. O Instituto reúne sindis de todas as origens religiosas e geográficas, e seus simpatizantes em um movimento proativo, progressiva, cujo propósito é informar os outros dos direitos humanos e atrocidades ambientais que ocorrem em Sindh.

Somalilânda (Somália)

Antigo protetorado inglês no continente africano, a atual República da Somalilândia teve sua história marcada por uma série de relações conflituosas no que diz respeito à sua autonomia e independência. A nação, que tem o Somali como língua oficial e a religião mulçumana do ramo sunita como predominante em sua sociedade, é situada no Leste do Chifre Africano, dividindo suas fronteiras com a Etiópia, o Djibuti e a Somália.

Mesmo sem contar com reconhecimento internacional, a Somalilândia é um Estado de facto, possui moeda própria, forças armadas e polícia, fronteiras definidas, bandeira, hino, impostos e órgãos governamentais próprios. Além de conduzir suas eleições de forma democrática, o governo da Somalilândia promoveu, em 2001, um referendum através do qual a sua população (estimada em 3.5 milhões de pessoas) aprovou a sua própria constituição e afirmou seu consentimento com relação ao status da nação como Estado independente. O ingresso da Somalilândia na UNPO em 2004 foi mais um importante passo dado pela nação que tem como objetivo principal o reconhecimento de sua independência pela comunidade internacional.

Taiwan (China)

Taiwan (ou Formosa) é uma ilha localizada no leste asiático, distante, aproximadamente, 120 quilômetros da China Continental. Com uma população estimada em 23 milhões de pessoas, a ilha (que tem República da China como nome oficial adotado em sua constituição) é um Estado de facto que vem lentamente ganhando aprovação internacional no que diz respeito, principalmente, a seu sucesso na área econômica e seus esforços de democratização. Taiwan, todavia, se depara com uma série de dificuldades na busca por seu reconhecimento como Estado independente frente à comunidade internacional, sendo o maior desses entraves suas difíceis relações com a República Popular da China, que alega ter a ilha como parte integral de seu território.

Taiwan é um dos membros fundadores da UNPO (criada em 1991) e é representado, desde 2006, pelo “Taiwan Foundation for Democracy” (organização sem fins lucrativos, criada em junho de 2003 com o objetivo principal de fortalecer a democracia taiwanesa e o seu comprometimento com a proteção dos direitos humanos).

Tártaros da Crimeia (Ucrânia)

Localizada na costa setentrional do Mar Negro, a Criméia é uma república autônoma da Ucrânia, com constituição própria, e também uma península. Os tártaros da Criméia, povo de religião islâmica do ramo sunita, seus habitantes originais, atualmente compõem apenas 12% de sua população. Também conhecidos como Crimeanos, possuem idioma próprio, o tártaro da Crimeia, um dos idiomas oficiais da região. A queda no número de tártaros no território é explicada pela expulsão forçada para a Ásia Central, durante o regime stalinista, quando a região fazia parte da União Soviética.

Objetivam a proteção de sua identidade nacional, através do amparo ao seu patrimônio histórico-cultural. Alegam ter sua língua-mãe ensinada nas escolas numa proporção inferior à demanda necessária e garantida segundo seus direitos, sendo preterida ao russo – cujo ensino na Criméia vem aumentando ao longo dos anos. A própria influência russa, também em termos militares, vem causando preocupação.

Numa luta pacífica por seus direitos que foram alienados ao longo dos anos, os tártaros da Criméia almejam ser reconhecidos como legítimo povo autóctone da região e restaurar a autonomia nacional-territorial da região. Para tanto, enxergam na UNPO um mecanismo apropriado e eficaz na promoção de seus objetivos.

 

Tibete (China)

Conhecido como o “teto do mundo” por se situar a mais de quatro mil metros de altitude, no Himalaia, assim o povo tibetano habita a capital Lhasa, fundada há 14 séculos. Faz fronteira com a Índia (incluindo a região da Caxemira), Nepal, Butão e Mianmar (Birmânia), possuindo uma área de 471.700 Km². A forte tradição budista é cultuada na submissão à autoridade suprema do Dalai Lama, sendo o Tibete uma das nações mais religiosas no mundo. Antes de 1950 o Tibete era uma entidade única, com sua própria cultura e religião, procurando isolamento do resto do mundo. A opressora China ocupou o território tibetano, mas a região nunca aceitou a dominação chinesa. Em represália, monges budistas organizaram rebeliões pela autonomia do Tibete, que se conteve pelas tropas chinesas e resultando no exílio do 14º dalai lama, Tenzin Gyatso, para Dharmsala (norte da Índia), acusado de fomentar o separatismo.

Embora o governo chinês ainda tenha uma forte influência sobre as práticas religiosas, incluindo a colocação de um limite no número de edifícios religiosos, e os tibetanos estarem ressentidos com esse controle impetuoso imposto à crença budista, ainda assim, o Governo do Tibete na UNPO representa o pacifismo de forma mais harmônica devido à religiosidade desta nação. A busca incansável pela aceitação do seu povo pela China segue os ditames do princípio da não-violência, fazendo com que o Tibete seja um exemplo de representação a ser seguida pelos membros de toda a Organização.

Turcomenos (Iraque)

Os Turcomenos (ou turcomanos) do Iraque são o terceiro maior grupo étnico no território iraquiano (depois dos curdos e dos árabes). Esse povo tem suas origens em uma mistura de várias tribos turcas, principalmente as tribos “Oguz”, que se fixaram na região norte do Iraque na época do Império Otomano. Concentrada, principalmente, nas províncias de Mosul, Erbil, Kirkuk, Salahaddin e Diyala, a população dos turcomenos iraquianos é estimada em 3 milhões de pessoas (o que corresponde a 13% da população total do Iraque). Apesar de a maior parte dessa população ser adepta da religião mulçumana, existem, em números pouco expressivos, turcomenos católicos e judeus.

Marcados por traços culturais distintos daqueles característicos das outras etnias presentes no Iraque, o povo turcomano na região busca, primordialmente, o reconhecimento de seus direitos políticos e de suas particularidades. Os Turcumenos do Iraque são membros da UNPO desde 1991 e são representados pelo Dr. Muzaffer Arslan (fundador do Iraqi National Turkmen Party (INTP)).

Tuva (Rússia)

A República de Tuva é uma unidade administrativa (divisão federal) da Federação Russa, localizada no extremo Sul da Sibéria, no curso superior do rio Yenisey. Possui uma população com cerca de 310.000 habitantes, onde cerca de 97% dela é formada pela etnia dos Tuvanos (ou Tuvans). Sua capital é Kyzyl, sendo centro político, econômico e cultural.

Vale ressaltar que a República de Tuva possui uma política isolacionista, evitando discussões do âmbito da UNPO, buscando sempre evitar se envolver em conflitos alheios e resolvendo suas questões através da forma verbal. Esta característica pacifista deve-se principalmente a sua cultura e religião budista, que prega a não-violência.Tuva luta agora apara desenvolver sua própria identidade, impondo sua soberania, principalmente através de mudanças econômicas e políticas – estas últimas já podem ser verificadas na região, onde já existe certa resistência às ordens russas.

Zanzibar (Tanzânia)

Localizada na costa da Tanzânia, é o nome dado a duas ilhas de coral chamadas Unguja – ilha principal, onde se localiza a capital, também chamada de Zanzibar – e Pemba. Sua composição étnica divide-se entre nativos da ilha (africanos falantes da língua Bantu), árabes e Shirazis (persas) – com quem a população considera se identificar mais. Em conseqüência da influência cultural recebida ao longo dos anos, hoje 90% de seus habitantes são muçulmanos.

Gozando de um status de semi-autonomia, possui presidente próprio, mesmo fazendo parte da Tanzânia, união formada por um acordo de 1964 que congregava os estados de Zanzibar e Tanganyika. Após a união, no entanto, todos os partidos políticos foram banidos e o Partido Afro-Shirazi (ASP) emergiu como partido único de Tanganyika, formando o partido Chama Cha Mapinduzi (CCM).

Zanzibar veio a boicotar as eleições presidenciais de 1990, a fim de chamar a atenção internacional para o fato de que maioria da população exigia um referendo que considerasse a decisão de união a Tanganyika. Posteriormente, na eleição relacionada em 1995, o CCM chegou ao poder. Numa missão de monitoramento da UNPO, foram constatadas diversas irregularidades, com posteriores represálias a eleitores de partidos da oposição. O que se seguiu foi uma série de ataques violentos por parte da polícia contra manifestantes contra o resultado da eleição e acusações de extremismo religioso em resposta às ações do governo. A UNPO anseia por uma melhora no clima político de Zanzibar, a ser pautado por valores democráticos fundamentais e respeito aos direitos humanos.

Convidados pela Presidência da UNPO:

Catalunha (Espanha)

Situada no nordeste da Península Ibérica, a Catalunha é uma nação autônoma, reconhecida constitucionalmente pelo Estado Espanhol. A região hoje correspondente à Catalunha passou por vários processos de ascensão e decadência, iniciando com a colonização grega, passando para o domínio romano até o controle das dinastias francas. A Catalunha hoje faz parte da UNPO como nação observadora e serve como modelo para outros povos que desejem a efetivação de sua autodeterminação.

Groelândia (Dinamarca)

Apesar de consistir num país autônomo, em muitos aspectos similar a um país plenamente emancipado, a Groenlândia – que se situa no Ártico e consiste na maior ilha do mundo – pertence ao Reino da Dinamarca. Possui autogoverno no que tange ao campo jurídico, policiamento e recursos naturais. No entanto, ainda cabe à Dinamarca o controle de suas finanças, relações internacionais e defesa.

Apesar de não se fazerem membros da UNPO, os povos autóctones da Groenlândia vem conseguido cada vez mais a cooperação de agentes internacionais – governamentais ou não – envolvidos com sua causa. Nesse contexto, é de extrema relevância ressaltar a criação do Conselho do Ártico, em 1996. O organismo foi criado no intuito de promover a cooperação no Ártico, com a devida colaboração e engajamento dos povos indígenas da região.

Nação Cigana (Europa)

Os Romas – outra denominação dada aos ciganos – formam um grupo étnico com base européia, que possui uma população – de origem indiana – que congrega cerca de 8 milhões de pessoas na Europa. Os ciganos possuem uma cultura forte e bem acentuada, sendo um povo de característica nômade que almeja o reconhecimento de seus direitos, com desapego a qualquer forma de violência e resistência armada.

Este povo sofreu e até hoje sofre com a perseguição e acima de tudo com o preconceito contra sua cultura. Ao longo dos anos, esse fenômeno discriminatório aumentou e teve seu auge durante o nazismo no período da Segunda Guerra Mundial, quando milhares de ciganos sofreram com um genocídio comparado com o dos judeus, mas que infelizmente não teve a mesma repercussão Este movimento provocou inúmeros processos migratórios, o que levaram ao sofrimento do povo cigano, com a conseqüente perda de parte da sua identidade cultural.

Atualmente, a perseguição a esse povo, apesar de combatida por diversas entidades, vem sendo acentuada através de políticas discriminatórias.

Neste âmbito, a Nação Roma não é membro efetivo da UNPO, entretanto, participa das reuniões da mesma, na posição de observador. Busca assim, a autodeterminação e combate às práticas de racismo, através de políticas pacifistas.

Ossétia do Sul (Geórgia)

Apesar de ainda considerada por grande maioria da comunidade internacional como pertencente à República da Geórgia, a Ossétia do Sul teve sua independência unilateralmente declarada desde novembro de 1991, tendo o reconhecimento da Federação Russa, da Nicarágua, da Venezuela e de Nauru – únicos países a considerarem legítima a declaração – vindo somente após o conflito entre a região separatista e a Geórgia, iniciado após a invasão desta à capital sul osseta, Tskhinvali, em Agosto de 2008.

Seus anseios de emancipação política decorrem da alta identificação do povo osseta com a Federação Russa – em especial com a região da Ossétia do Norte, república autônoma da Rússia, de mesma origem étnica que a Ossétia do Sul. Tal identificação chega ao ponto em que o russo é adotado como idioma oficial da região, juntamente com o osseta e o georgiano.

País Basco (Espanha e França)

O País Basco (também chamado de Euskal Herria, ou Vasconia), corresponde a uma região localizada no norte da Espanha (compreendendo as províncias Álava, Biscaia, Guipúscua e Navarra, formando o País Basco Peninsular) e no extremo sudoeste da França (nas províncias de Baixa Navarra, Lapurdi, e Sola formando o País Basco Continental). Possuindo o Euskara como língua própria (e complemente distinta dos demais dialetos da região), o povo de cultura basca (estimado, hodiernamente, em 3 milhões de pessoas) já ocupava o território mencionado antes do Império Romano, sendo considerado um dos primeiros povos nativos e não-latinos da Europa Ocidental.

O nacionalismo basco, idealizado precipuamente por Sabino Arana (fundador do Partido Nacionalista Basco em 1893), é a maior expressão da luta dessa região por autonomia. No território francês, entretanto, essa luta é bem menos expressiva, já que o governo deste país não cede nenhum tipo de controle político ao povo basco em seu território. Sendo assim, o movimento em questão tem suas principais bases de apoio (assim como suas principais conquistas) no chamado “País Basco Peninsular” que desfruta, desde a constituição espanhola de 1978, do status de comunidade autônoma.

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4 Respostas para “MINORIAS

  1. Gustavo Zicker

    Terá alguma representação do Partido Radical Italiano?

    • Boa tarde, Gustavo!

      Não contaremos com esta representação, mas teremos a presença de muitas outras delegações ilustres! Já viu? (há uma listagem no Guia de Estudos)

      E você, contaremos com a sua presença?

      • Gustavo Zicker

        Que pena! Representei o Partido Radical Italiano numa UNPO, e me encantei pelos trabalhos/ideais do mesmo, e o quanto ele ajuda a UNPO. Eu, infelizmente, não participarei do MINI este ano, mas meus discipulos (hahaha) representarão com excelência, o Curdistão Iraniano e o Irã neste comitê! Boa sorte à todos!

      • De certo que, mesmo sem a representação Partido Radical Italiano, não faltarão ótimos protagonismos na UNPO!

        Continue de olho no blog, Facebook e Twitter! 🙂

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