Arquivo do mês: julho 2012

Dossiê Turcomenos (Iraque)

Status: Grupo Minoritário
População: 3 milhões
Linguagem: Turkish

 

REPRESENTAÇÃO NA UNPO

Os Turcomenos Iraquianos são representados na UNPO por Muzaffer Arslan, fundador do Partido  Nacional Turcomeno do Iraque. Turcomenos (ou Turcomanos) têm as seguintes organizações políticas:

1- Frente Turcomena do Iraque, que reúne diversos partidos: Partido Nacional Turcomeno  do Iraque, Partido de Turkmeneli, Partido de Adalet, Movimento Islâmico de Turcomenos Iraquianos, Movimento Independente.

2- Movimento Nacionalista Turcomeno

3- Movimento Wafa Turcomeno

4- União Islâmica de Turcomenos Iraquianos.

Organismos não-políticos: Fundação Turkmeneli Cultural e de Cooperação   (Turquia), Centro de Irmandade Turcomena (Iraque), e Associação Turcomena Iraquiana de Cultura e Solidariedade (Turquia).

Em outubro de 1997, organizações turcomenas organizaram uma “Assembleia Turcomena” em Erbil, nordeste iraquiano. A Assembleia reuniu muitas organizações turcomenas, e determinou as políticas culturais, educacionais, informacionais e sociais para o povo Turcomano. Os grupos participantes da Assembleia adotaram a “Declaração dos Princípios Fundamentais“. Um conselho de 30 membros foi criado a partir destas organizações. A fim de manter a identidade dos turcomenos e assegurar a solidariedade social global, várias associações e fundações foram estabelecidas na Dinamarca, Suécia, Alemanha, Holanda, Turquia, Canadá, Estados Unidos da América e Austrália.

GEOGRAFIA

Os turcomenos iraquianos estão concentrados no norte do Iraque, em províncias como Mosul, Erbil, Kerkuk, Salahaddin e Diyala. Há ainda turcomenos em províncias centrais como Bagdá, Wasit.

POVO

Os turcomenos são o terceiro maior grupo étnico no Iraque, atrás de curdos e árabes. Estima-se que são 3 milhões, ou 13% da população iraquiana. Formam uma zona cultural tampão entre árabes e curdos. A região em que vivem tem muitos recursos naturais como petróleo, gás e enxofre. Contam ainda como abundante produção de trigo e algodão. São uma sociedade distinta, em linguagem e cultura, de seus vizinhos. Mas são ainda detidos de direitos políticos e sistematicamente são confrontados com a assimilação.

HISTORIA

Os turcomenos são originalmente da Ásia Central. São descendentes dos Túrquicos que falavam Oghuz que começaram a se estabelecer no Iraque, há 1500 anos. Eles tinham papel significante na administração do Iraque, criando 6 estados. Até o final da Primeira Grande Guerra (1918), a província de Mosul ainda fazia fronteira com o Império Otomano. Após o cessar-fogo, em novembro de 1918, tropas britânicas ocuparam o território. A Turquia recusou a aceitar isso, e demandou a retomada da província de Mosul.

Turcomenos e curdos resistiram as autoridades britânicas participando da Revolução Popular Iraquiana de 1920, recusando a monarquia de Hashemite, estabelecida pelos britânicos em 1921. Turcomenos foram atacados em 1924 por exércitos mercenários britânicos (Levis) em Kerkuk, e muitos civis foram mortos. Sob a Constituição em 1925, curdos e turcomenos tiveram o direito de usar seus idiomas próprios em escolas, escritórios do governo e imprensa.

Em 1926, a Turquia aceitou a integração de Mosul ao Iraque, sob pressão britânica. Já em 1932, na Liga das Nações, o governo iraquiano declarou que respeitaria todos os direitos das minorias. Mas em 1933, muitas escolas turcomenas foram fechadas, e ativistas enviados a exílio. Em 1940, tribos árabes começaram a se fixar em Kerkuk.

Em 1959, comunistas e militares separatistas massacraram líderes turcomenos, e muitos outros turcomenos em Kerkuk, numa tentativa de limpeza étnica na cidade (Massacre de Kerkuk). No censo de 1957, os turcomenos representavam somente 9% da população iraquiana.

Em 1970, o governo Baathista garantiu direitos culturais aos turcomenos, mas em 1972 proibiu o ensino em Turkish (língua) e restringiu a imprensa nesse idioma.

A assimilação de turcomenos já era política do Estado em 1971, quando a Assembleia Geral do Partido Baath decidiu completar a arabização de Kerkuk, em 1980. Divisas administrativas foram alteradas em 1974 para dividir as concentrações turcomenas. Na Constituição de 1973, nenhuma referência foi feita ao povo turcomeno.

Em 1980, líderes turcomenos foram mortos pelo regime Baath, e o uso de Turkish foi proibido. Nesta década, ativistas turcomenos foram caçados, torturados e mortos. Milhares de árabes foram trazidos de outras partes do Iraque pelo governo, e estabelecidos em Kerkuk e cidades turcomanas.

A nova constituição de 1990 dizia que “o povo iraquiano consiste de árabes e curdos“.

Em 1991, foi criado pelas Nações Unidas o Porto Seguro, após a Guerra do Golfo, e incluía Erbil. Isso dividiu os turcomenos em duas comunidades separadas: uma minoria em Porto Seguro (15%) e o resto sob administração iraquiana. No mesmo ano, turcomenos iraquianos se tornaram membros da UNPO. Em 1995, a Frente Turcomena Iraquiana foi criada.

Em 1996, uma invasão iraquiana ao Porto Seguro, e sedes do Partido Nacional Turcomeno Iraquiano foram destruídas. Em 2003, houve invasão norte-americana em cidades turcomenas.

FONTE: UNPO

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Dossiês

Ampliando os horizontes

Pense no que essas palavras podem ajudar na elaboração do guia de ação para gestores públicos!

Essas são algumas ideias. Existem muitas outras esferas para serem refletidas na nossa reunião! #ficaadica

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Direitos dos povos

Pode-se dizer que a Declaração Universal dos Direitos dos Povos surgiu de uma inquietação provocada pelo caráter individualista da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que tem seu foco nos “direitos individuais” não se manifestando quanto ao direito coletivo dos povos.
Em 1976, dirigentes de países, especialmente de países pobres, líderes de movimentos de libertação nacional, civis, políticos, economistas, juristas, entre outros, aprovaram a “Declaração Universal dos Direitos dos Povos”, na cidade de Argel, ficando o documento também conhecido como “Carta de Argel”.

QUESTÃO DE DÚVIDA: Em que consiste esses “Direitos dos Povos” ?

O Direito dos Povos surge do pensamento de que deve-se levar em consideração a coletividade enquanto “povo”, titular de direitos que devem ser respeitados e protegidos pela comunidade internacional, sendo respeitado principalmente por sua identidade nacional e cultural. É um conceito que, segundo João Baptista Herkenhoff, endossa expressamente a Declaração Universal dos Direitos Humanos e que alarga sua perspectiva, ampliando seus horizontes.
Todo povo tem direito à autodeterminação. É o direito de um povo não se sujeitar (ou ser sujeitado) à soberania de um outro povo (ou Estado) contra sua vontade. É a possibilidade desse povo determinar seu destino, seu desenvolvimento cultural, social e econômico, sem a influência de outro. Em nenhum caso poderá um povo ser privado de seus próprios meios de subsistência.
É importante saber alguns direitos que este documento afirma.

Todo povo tem direito:
_à existência; 
_ao respeito por sua identidade nacional e cultural; 
_de conservar a posse pacífica do seu território e de retornar a ele em caso de expulsão; 
_à autodeterminação; 
_de se libertar de toda dominação colonial ou estrangeira direta ou indireta e de todos os regimes racistas; 
_a um regime democrático; 
_exclusivo sobre as suas riquezas e os seus recursos naturais; 
_de escolher o seu sistema econômico e social e de buscar a sua própria vida de desenvolvimento econômico em liberdade total e sem ingerência exterior; 
_de falar sua língua, de preservar e desenvolver sua cultura; 
_a que não se lhe imponha uma cultura estrangeira; 
_à conservação, à proteção e ao melhoramento do meio ambiente; 
_à utilização do patrimônio comum da humanidade, entre outros direitos citados pela Declaração.


Ainda segundo Herkenhoff, o reconhecimento dos ‘Direitos dos Povos’, nos fóruns internacionais, foi fruto da luta dos povos dominados e marginalizados da África, da Ásia, da América Latina. Houve, sem dúvida, o apoio de militantes, dissidentes, intelectuais, no cenário dos países ricos, mas o grito partiu dos países pobres ou empobrecidos […] foi a mais relevante contribuição das culturas consideradas marginais, sob a ótica dos dominadores, à idéia de ‘Direitos Humanos’.
Direitos fundamentais dos povos são rotineiramente desrespeitados, principalmente nas regiões mais carentes do globo. Direitos são feridos todos os dias, e do nosso lado. Os povos da América Latina são independentes e devem viver como tal. Devemos saber de nossos direitos. Somente os conhecendo, poderemos lutar por eles, e lutando reafirmaremos nosso amor e preocupação por uma região integrada e verdadeiramente independente.

Fonte: http://www.tigweb.org/youth-media/panorama/article.html?ContentID=6316

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Dossiê – Curdistão Iraniano

Image

Estatísticas

Status: Região do noroeste do Irã
População: 8-10 milhões, estimados entre 11 e 15% da população do Irã
Capital: Mahabad
Área: 111,705 Km², abrangendo as quatro províncias ocidentais dee Kermanshah (24.998 Km²) Ilam (20.133 Km ²), West Azerbaijão (37.437 Km²) e Curdistão (29.137 Km²).
Idioma: Curdo
Religião: Muçulmanos sunitas 66%, muçulmanos xiitas 27%, Religiões Indígenas e Minorias 6% (Yarsan, yazidis, Qadiriyya e Naqshbandiyya, Ahle Haq, cristãos e judeus)
Grupos Étnicos: curdos, azeris, turcos e persas

Image

Representação perante a UNPO

A organização que representa os curdos iranianos dentro da UNPO é o Partido Democrático do Curdistão Iraniano (PDKI), fundada em Mahabad, no Irã, em 1945. PDKI substituiu o “Komalay Ziyanaway Curdo” (Conselho da Ressurreição Curdo), com o objetivo de estabelecer uma nova “República do Curdistão.” Embora existam muitas facções diferentes e organizações que atuam em nome da população do Curdistão Iraniano, o PDKI há muito tempo sido visto como a organização central para representação curda. O PDKI há muito tempo retirou-se da luta militar e vem desenvolvendo uma campanha não-violenta e diplomática. Atividades PDKI têm sido prejudicadas, como em toda a sua história, muitos líderes foram ameaçados e presos.

VISÃO GERAL

Curdistão iraniano, também conhecido como Curdistão Oriental é o nome oficial dado a uma região ao noroeste do Irã, que é ocupada pelos curdos. Atinge do Monte Ararat, no Norte para as Montanhas Zagrose no sul. Possui população nas fronteiras com o Iraque, a Turquia e a Armênia, todas as quais são lares de populações indígenas curdas, e juntas formam um espaço cultural-geográfico chamado Curdistão. A área é rica em recursos naturais, mas pelo menos 30 anos de exploração econômica alienou os curdos do acesso a esses recursos locais, deixando grande parte da economia dependente da agricultura.

A grande maioria dos curdos iranianos são muçulmanos sunitas e se viram perseguidos, discriminados e marginalizados por uma população majoritariamente muçulmana xiita no Irã. Embora inicialmente tivessem esperança com o apoio da Revolução Iraniana, os curdos iranianos procuraram uma regra autônoma como parte de um Irã mais amplo, o que levou o aiatolá Khomeini declarar uma Jihad (guerra santa) contra o povo curdo. Como resultado tem havido uma constante guerra, militar, econômica e psicológica travada contra a população civil na área, que tem, de acordo com a Paz e Desenvolvimento da Sociedade do Curdistão, conduzir a uma “campanha sistemática de genocídio”. Esta campanha já causou a morte de dezenas de milhares de pessoas inocentes. Os curdos iranianos à muito tempo lutam pela representação governamental e por uma melhor a proteção aos seus direitos humanos básicos por meio da criação de um estado federal.

LÍNGUA

A língua curda pertence ao ramo iraniano da família das línguas indo-europeias. Consiste de um continuum de línguas / dialetos falados no Curdistão, uma área que abrange o norte do Iraque, no noroeste do Irã, nordeste da Síria e sudeste da Turquia.

No Irã curdo é falado como língua materna. As línguas curdas eram ensinadas nas escolas em áreas curdas antes das políticas centralizadoras do Estado serem introduzidas no rescaldo da Segunda Guerra Mundial. No entanto, foram proibidas desde o início do século 20. O status de língua curda foi enfraquecido após a Revolução Iraniana em 1979, proibindo todos os jornais, revistas e programas de rádio em língua curda. A maioria dos oradores curdos no Irã têm sido forçados a aprender o persa.

ECONOMIA

A região de Curdistão iraniano é rica em recursos naturais e fornece uma percentagem significativa de água para o resto do Irão. No entanto, pouco se investiu no desenvolvimento econômico curdo, que se reflete no sistema mais amplo de discriminação. Em contradição direta com o artigo 48 da constituição iraniana; “Não deve haver discriminação entre as várias províncias no que diz respeito à exploração dos recursos naturais, a utilização das receitas públicas e distribuição das atividades econômicas entre as diversas províncias e regiões do país, assim assegurar que cada região tem acesso ao capital e as facilidades necessárias, de acordo com suas necessidades e capacidade de crescimento “, o Curdistão iraniano continua a ser insuficiente e explorado. Consequentemente, a população curda tem contado com a agricultura como uma fonte de receitas, que em si tem sido afetada negativamente pelas políticas do governo de minas terrestres, que estabelece em campos agrícolas e encerramento das fronteiras terrestres e vital para a deslocação de animais para a produção agrícola na região.

DESENVOLVIMENTO SOCIAL

Um dos fatores-chave para a falta de desenvolvimento social no Curdistão tem sido a política de educação do governo. Todo o ensino escolar é realizado em persa e da utilização de todas as línguas indígenas é proibida. Esta é uma barreira para a transição da história curda, língua, tradições orais, filosofias, sistemas de escrita e literatura para as gerações futuras.

A Política de Estado discriminatória tem impedido muitas crianças de terem acesso à educação e é um fator que contribui para o analfabetismo a níveis extremamente elevados no Curdistão. O artigo 15 permite o uso de línguas minoritárias em público, contudo, isso não é implementado na prática, fazendo as ações do governo ilegais sob Constituição iraniana.

Bem como a educação, outros indicadores sociais de desenvolvimento humano no Curdistão contribuem para a baixa qualidade da população. Em comparação com as outras 30 províncias iranianas, o Curdistão é classificado como um dos piores por cinco razões: o custo médio dos alimentos, a renda média, o analfabetismo em geral, o analfabetismo adulto, a motivação de vida e a pobreza. Há também uma taxa de desemprego estimada de cerca de 50%, indicando o impacto da política discriminatória contra a população curda civil.

CULTURA

Tanto a música quanto a dança desempenham um papel vital na cultura curda. Usando instrumentos antigos e músicas são usadas para celebrar as festas e transmitir histórias tradicionais. Músicos curdos têm sido altamente bem sucedidos, tanto no Irã como em todo o mundo e têm contribuído para o património musical da região.

A dança da mesma forma desempenha uma grande parte nas celebrações culturais dos curdos iranianos. Dança redonda tradicional é usada para comemorar festas, aniversários e casamentos.

RELIGIÃO

A grande maioria dos curdos iranianos são muçulmanos sunitas, cujos ancestrais converteram durante a conquista árabe do século 7. Há também um grande número de muçulmanos xiitas na população curda vivendo principalmente nas províncias Ilam e Kermanshah do Curdistão iraniano.

Uma pequena minoria da população também são ainda os seguidores de religiões tradicionais e indígenas que adoravam antes da proliferação do Islã. Estas religiões são Yazdanism / Yazidism e Ahl-e Haqq, e ambos têm sido praticadas pelo povo curdo por quase 2000 anos.

SITUAÇÃO POLÍTICA

A situação política atual decorre de uma longa história de falsas declarações e à discriminação. Sob o governo do xá no início do século 20, as atividades de curdos na política nacionais foram subjugados, e aos grupos étnicos foram fornecidos obstáculos para o processo político. Uma série de movimentos políticos surgiram principalmente entre 1918 e 1925, mas as tentativas de criar um estado independente no Curdistão falhou. As funções políticas curdas, principalmente as sediciosas, foram altamente reprimidos e muitas figuras políticas curdas importantes foram executadas, detidas ou exiladas. Políticos curdos sofreram reveses ambiciosos contínuos em toda a década de 1960, incluindo a invasão de escritórios de campanha em 1959 e 1964, e a prisão de mais de 300 militantes do partido.

Sem surpresa, os curdos esmagadoramente saudaram a queda da dinastia Pahlavi no inverno de 1979, terminando o regime autoritário do Xá, que tinha sistematicamente reprimidas as minorias nacionais no Irã há décadas. Tendo muito tempo lutou pela autonomia regional e o auto-governo federal, dentro de um Irã unido, os curdos do Irã viram a participação na Revolução de 1979 como uma oportunidade fundamental para atingir seus objetivos. Em contrapartida, o regime que surgiu não para resolveu os problemas do povo curdo, em vez disso, aumentou a discriminação contra eles com base em suas diferentes línguas, culturas e tradições e os acusando de serem aliados com as potências estrangeiras. O regime teocrático alienou os curdos do processo político, demonstrando pouca paciência para com a exigente população curda e optaram por abordagens militares em resposta à agitação.

Aos curdos foram negados um assento na assembléia pós-Revolução de especialistas, que foi responsável pela elaboração da nova Constituição, apesar do fato de que o líder curdo Dr. Abdul Rahman Ghassmlou tinha sido eleito pela maioria dos votos nas regiões curdas. Como resultado, muitos curdos foram privados de direitos na Constituição iraniana, que viu a primazia Shia ser endossada, e não fez provisões para a autonomia regional.

1979 ainda não tinha chegado quando eclodiu o conflito armado e de segurança do governo iraniano, que obrigava destruírem aldeias inteiras e cidades curdas à força em sua apresentação. Em um discurso aiatolá Khomeini disse que o conceito de uma “minoria étnica” é contrário às doutrinas islâmicas e mais tarde declarou uma jihad (guerra santa) contra o povo curdo. Ele milhares de frases de homens para a execução após julgamentos sumários. Em 13 de julho de 1989, Dr. Abdul Rahman Ghassemlou, Secretário-Geral da PDKI foi assassinado na Áustria ao lado de dois de seus colegas, pois eles estavam negociando com enviados iranianos. Essas discussões para uma solução pacífica para a questão curda no Irã veio a convite do regime iraniano. Sucessor Dr. Ghassemlou, Dr. Sadeq Sharafkandi reuniu-se com o mesmo destino em 17 de Setembro de 1992 em Berlim, ele participou do Congresso da Internacional Socialista.

A eleição de políticos curdos para posições aconselhando o Conselho de Guardiães, que como parte do gabinete rege a região curda, levaram a otimismo prematuro. O direito parlamentar para a representação curda foi limitado pela omissão dos curdos da Constituição e participação curda nas estruturas políticas foi extremamente difícil. Assim, a população curda muitas vezes se absteve completamente de participar nas eleições nacionais em sinal de protesto.

UNPO PERSPECTIVA

A UNPO condena veementemente as políticas e ações tomadas pelo Governo iraniano contra a população curda no Irã, em particular desde 1979. Especificamente, UNPO condena a luta militar de frente para o Curdistão iraniano, que já custou cerca de 10.000 vidas, o catálogo de abusos dos direitos humanos civis, discriminação sistemática na educação, emprego e habitação e sua exclusão contínua da participação política.

Representação das minorias na política e na sociedade é vital para uma forte liderança democrática e a UNPO acredita que curdos iranianos devem exigir um papel mais importante ao decidir seu próprio futuro. A questão do federalismo no Irã tem sido uma questão negligenciada e da descentralização democrática, a distribuição do poder do governo central, permitindo que grupos marginalizados a participar mais efetivamente nos assuntos locais.

Durante quase duas décadas a UNPO vem trabalhando para promover esta e outras soluções para a discriminação institucional e administrativa de frente para os grupos marginalizados da sociedade. Ao trabalhar em conjunto com o Congresso de Nacionalidades para um Irã Federal, PDKI e outros representantes ativos da sociedade civil iraniana, os compromissos foram feitos para divulgar tanto o desejo dos iranianos para um novo pensamento na sua governação interna e um consenso pacífico.

PERSPECTIVA DO MEMBRO DA UNPO

O PDKI procura um Irã democrático, independente e federalista. Eles acreditam que os povos do Irã tem o direito à auto-determinação e de buscar a autonomia regional em um contexto federalista e como um meio de distribuição de poder central para permitir a participação da população curda em atividades governamentais que afetam diretamente suas vidas. Eles também estão determinados a proporcionar igualdade na educação, acesso à habitação, econômica e demandas especificamente assistentes sociais e econômicos.

Socialmente, a PDKI também solicita a igualdade entre homens e mulheres na sociedade e no contexto da família como meio de implementar a mudança cultural e abordando questões como o terrorismo, o tráfico de drogas e a violência doméstica. O PDKI exige uma separação entre religião e estado, consequentemente institui a criação de um sistema de governo secular como um instrumento para assegurar o fim da discriminação religiosa e de marginalização.

Durante o 20 º Congresso Internacional Socialista realizado na em Nova York de 1996, ao PDKI foi dado o estatuto de observador da ONU que foi elevado em 2005, ao status ECOSOC consultivo. O corpo de liderança PDKI é o seu Comité Central, que normalmente é composto de 21 membros suplentes permanentes e 10. O Comitê Central também elege cerca de 7 dos seus membros como o Bureau Político, que inclui também o Secretário-Geral. Desde o estabelecimento, PDKI realizou treze congressos.

Campanhas PDKI para um Irã federal democrático e independente, o direito dos povos do Irã à autodeterminação, a realização das demandas sociais e econômicas dos trabalhadores, a igualdade de homens e mulheres na sociedade e na família e separação entre religião e Estado.

CONTEXTO HISTÓRICO

A nação curda tem experimentado uma história longa e sangrenta. A partir do século 10 para século 12, duas dinastias curdas emergiram no Irã. A dinastia Hasanwayid governou de 959-1015 e os Ayyarids que governaram de 990-117. No século 12, o Sultão Sanjar estabeleceu uma província central em Bahar e chamou-lhe “Curdistão.” O Estado Ardalan mais tarde foi criada no início do século 14 o controle dos territórios dos Ardalan, Karadagh, Khanaqin, Kirkuk, Kifri e Hawraman, uma dinastia que governou até o Curdistão Monarch Qajar Nassar al-Din Shah, em 1867.

A dinastia Safávida veio do Curdistão iraniano, antes de passar para o Azerbaijão e, finalmente, estabeleceu-se em Ardabil, no século 11. Durante seu governo tentou estender seu controle sobre áreas curdas habitadas do Irã ocidental.

Nessa época houve uma série de emirados curdos semi-independente: Mukriyan, Ardalan, tribos Shikak do Lago Urmiye e noroeste do Irã, mas na tentativa de manter a auto-governo, os curdos tentaram resistir as suas políticas. Após uma série de conflitos sangrentos no século 15-16, os curdos foram derrotados. Em resposta, o Safávidas, sob o reinado do Rei Safavid Tahmasp I, implementou um programa de realocação forçada e deportação para punir os curdos para as rebeliões.

Após a batalha de 1514 que terminou a primeira Guerra Otomano Safavid, o Curdistão foi praticamente dividido entre estes dois impérios. Entre 1534 e 1535, Tahmasp começaram a, sistematicamente, destruir cidades curdas arcaicas e deportou os curdos na área de montanhas Alborz e Khorasan, bem como para as alturas do Planalto Central iraniano. Os curdos Khurasani formaram uma comunidade de cerca de 1,7 milhões de pessoas deportadas do oeste do Curdistão a Norte Khorasan (nordeste do Irã) pela Pérsia durante os séculos 16 e18. Na tentativa de alterar a composição demográfica da região, estes curdos indígenas foram substituídos por 8.000 Afshari turcos.

Após a invasão do Afeganistão, Safavid no início do século 18, os curdos viram uma oportunidade de expandir – Hamadan conquistou e penetrou em uma área do sul perto de Isfahan. Durante este período de Nader Shah, tentou continuamente reprimir a rebelião curda, antes de ser assassinado em 1774. Após a morte de Nader um vácuo de poder foi aberto e os curdos tentaram explorar a situação e as peças capturadas de Fars. A luta de libertação do xeque Obidolla Nahri (1883) foi o nascimento da luta nacional curda para um Curdistão independente. No início do século 19 Reis Qajar haviam tomado o controle da Pérsia (Irã) e marcou o surgimento de inúmeros movimentos de resistências curda e revoltas contra o governo.

HISTÓRIA RECENTE

Durante a Primeira Guerra Mundial, o governo persa demonstrou muitas fraquezas e a situação resultante foi caótica no país gerou grande incentivo para que os, determinados, líderes curdos tentassem mais uma vez a criação de um Estado curdo independente. O início do século 20 testemunhou uma crescente libertação nacional e os movimentos políticos curdos. Simko Shikak, chefe da tribo Shikak, lutou para estabelecer sua autoridade na área oeste do Lago Urmia 1918-1922. Jaafar Sultan, líder da região Hewraman assumiu o controle da região entre Marivan e norte de Halabia que se manteve independente até 1925. Isso mudou quando Reza Khan, que era líder do Irã no momento, respondeu com a resistência violenta e re-estabeleceu o controle sobre a área. Ele foi proclamado Xá do Irã em 1925 e começou a implementar uma campanha de perseguição contra os curdos, incluindo o confisco de terra de deportação e exílio forçado de centenas de curdos, uma campanha que foi continuado por seu filho Shah Reza.

A deportação de curdos continuou até a eclosão da Segunda Guerra Mundial. Apesar de o Irã haver declarado neutralidade, foi ocupado por forças aliadas, em Setembro de 1941. O exército persa foi rapidamente dissolvido e suas munições foram apreendidas pelos curdos. Este ofereceu oportunidade para os líderes curdos a fugir exílio em Teerã como eles tentaram restabelecer o controle mais uma vez, nas regiões curdas. Hama Rashid, um líder curdo de Baneh assumiu o controle de Sardasht, Baneh e Mariwan no oeste do Irã, antes de serem expulsos da região pelo exército persa, no final de 1944.

Um estado curdo foi criado com o apoio da União Soviética, na cidade de Mahabad em 1946 pelo Movimento curdo Komeley Jiyaneway , sob a liderança de Qazi Muhammad. Este movimento não conseguiu ganhar apoio de todos os curdos iranianos e os curdos no exterior uma vez que esta nova entidade limitou-se a pequenas cidades de Mahabad, Bukan, Nagado e Oshnaviyeh. Juntamente com a retirada das forças de ocupação soviéticas no final da guerra, a chamada República de Mahabad só durou cerca de um ano e ao final da mesma o Curdistão, mais uma vez fazia parte do Irã.

A regra da dinastia Pahlavi antes de 1979 viu ainda mais exploração e discriminação do povo curdo e no inverno uma onda de nacionalismo envolvia o leste do Curdistão. Durante a Revolução de 1979, as organizações políticas curdas foram partidárias entusiastas da mudança de regime e que tinha grandes expectativas sobre o futuro. Os curdos, com sua língua diferente e tradições e suas alianças transfronteiriças, eram vistos como vulneráveis ​​à exploração por potências estrangeiras que queriam desestabilizar a jovem república e, consequentemente, uma Jihad (Guerra Santa) foi instigada pelo novo regime islâmico do aiatolá Khomeini contra os curdos como um mecanismo para controlá-los. A crise aprofundou após curdos foram negados assentos na assembleia de especialistas reunidos em 1979, que foram responsáveis ​​por escrever a nova Constituição e Dr. Ghassemlou, o representante eleito da região, foi impedido de participar na primeira reunião da Assembleia. Como curdos foram privados de seus direitos políticos foram drasticamente excluídos das disposições da nova Constituição resultante iraniano, Considerando que a maioria dos curdos pertencem a vertente sunita do Islã, o que resulta a Constituição de primazia Shia institucionalizada, enquanto isso não se fez nenhuma disposição para a autonomia regional, um principal demanda dos curdos.

O conflito armado eclodiu no final daquele ano e a Guarda Revolucionária lutou para restabelecer o controle do governo nas regiões curdas. Como resultado mais de mil curdos foram mortos. Nos últimos 40 anos, tem havido confrontos contínuos entre os curdos e o governo iraniano, à luz da exploração generalizada e discriminação. Ayatollah Khomeini, em uma visão compartilhada por muitos de a liderança clerical, famosamente chamou o conceito de minoria étnica contrário às doutrinas islâmicas.

Desde a Revolução, a exclusão religiosa tem se destacado no Irã. Embora a grande maioria das instituições religiosas xiitas são incentivadas, a maioria das instituições sunitas são impedidas de participação societária. Isto é exemplificado em Teerã, onde apesar de uma população sunita de mais de um milhão de pessoas não há mesquita na capital para atender às necessidades religiosas da comunidade e permissão de planejamento tem sido continuamente recusada. Isto é, após a destruição de uma mesquita sunita recém-construída em Sanadaj em 1993. Este nível de discriminação tem atormentado a relação entre os curdos e o governo desde 1979, o que resultou em distúrbios consistente, exacerbada por incidentes públicos que têm inflamado tensões contidas.

Em 1996, a morte proeminentes sunitas do clero, Mulla Mohammed rabiei em Kermanshah levou a violentos confrontos entre sunitas curdos e as forças de segurança. Protestos de três dias duração envolveram toda a região.

Durante certos períodos, as relações entre o governo iraniano e os curdos melhoram, principalmente durante o governo de Mohammad Khatami, eleito em 1997 como o quinto presidente do Irã, Khatami e seus partidários usaram o apoio curdo para sua campanha contra a linha dura. Isto levou à nomeação de Abdollah Ramezanzadeh, o primeiro governador curdo xiita da província iraniana do Curdistão. Presidente Khatami também nomeou vários sunitas e xiitas curdos como assessores de gabinete, bem como dois membros do gabinete curdo.

A inclusão curda no governo central aumentou e criou algum otimismo sobre as expectativas de autonomia curda  e viu a criação de uma facção parlamentar 21 membros representando as províncias predominantemente curdas do Curdistão, e Kermanshah. No entanto, este período de relações amigáveis ​​foi de curta duração e em 1999, os protestos nas ruas de cidades curdas como Mahabad e Urmia estourou. Após o assassinato de ativista curdo Shivan Qaderi pelas forças de segurança iranianas em Mahabad em 2005, seis semanas de tumultos e protestos eclodiram em todo o Curdistão, que resultou na morte e detenção arbitrária de centenas de pessoas e ao encerramento de vários jornais curdos. A relação entre os curdos e o Governo continua altamente fragmentado, como os curdos ainda buscam, a representação legítima, igualdade religiosa e algum nível de autonomia.

Deixe um comentário

Arquivado em Dossiês

Dossiê Tártaros da Crimeia

ESTATÍSTICAS   

Status: República Autônoma

População: Crimeia: 2,5 milhões; Tártaros da Crimeia: 300 000

Capital: Área Simferopol: 27.000 km²

Idioma: ucraniana e Russo

Religião: Islamismo (sunitas)

Grupos Étnicos: Tártaros da Crimeia 12%, Rússia 62%, 23% ucraniano, bielo-russo, armênio, grego, alemão e Karaim 3%

Localizada na costa setentrional do Mar Negro, a Crimeia é uma república autônoma da Ucrânia, com constituição própria, e também uma península. Os tártaros da Crimeia, povo de religião islâmica do ramo sunita, seus habitantes originais, atualmente compõem apenas 12% de sua população. Também conhecidos como Crimeanos, possuem idioma próprio, o tártaro da Crimeia, um dos idiomas oficiais da região. A queda no número de tártaros no território é explicada pela expulsão forçada para a Ásia Central, durante o regime stalinista, quando a região fazia parte da União Soviética.

Mesmo no século XIX, quando a localização fazia parte do Império Russo, eventos como a Guerra da Crimeia (1853-1856) já ocasionavam um expressivo êxodo de tártaros, tendo seus descendentes se dispersado por outros países – assim caracterizando a Diáspora dos tártaros da Crimeia.

Objetivam a proteção de sua identidade nacional, através do amparo ao seu patrimônio histórico-cultural. Alegam ter sua língua-mãe ensinada nas escolas numa proporção inferior à demanda necessária e garantida segundo seus direitos, sendo preterida ao russo – cujo ensino na Criméia vem aumentando ao longo dos anos. A própria influência russa, também em termos militares, vem causando preocupação.

Numa luta pacífica por seus direitos que foram alienados ao longo dos anos, os tártaros da Crimeia almejam ser reconhecidos como legítimo povo autóctone da região e restaurar a autonomia nacional-territorial da região. Para tanto, enxergam na UNPO um mecanismo apropriado e eficaz na promoção de seus objetivos.

Deixe um comentário

Arquivado em Dossiês

Dossiê Somalilândia

REPRESENTAÇÃO NA UNPO: Governo de Somalilândia- desde 2004

Somalilândia está situada no leste do chifre africano, e tem o tamanho da Inglaterra e Gales. Faz fronteira com a República do Djibuti ao oeste, República Federativa da Etiópia ao sul, e e ao norte, o Golfo de Aden, e Somália ao leste. Somalilândia compreende uma área total de mais de 137 mil km², com uma costa de 850 km. A região é de clima de monsões, com uma distinta primavera chuvosa, e verões secos.

POPULAÇÃO

A população é estimada em 3,5 milhões, com taxa de crescimento de 3,1%. Mais da metade (55%) da população é nômade ou semi-nômade, com 45% vivendo em áreas urbanas ou cidades rurais. A expectativa de vida masculina é de 50 anos de idade, e feminina, de 55 anos. A população é dispersa em Hargeisa, capital, e outras cidades como Burao, Borama, Berbera, Erigabo, Gabiley, Baligubadle, Saylac, Odeweyne, e Las Anod.

ECONOMIA

Moeda: Somaliland shilling (SISh).
A principal fonte de renda é exportação de pecuária (camelo, gado, cabra e ovelha) para Arábia Saudita e Estados do Golfo pelo Porto de Berbera.

The regions main source of income comes from the export of livestock (camels, cattle, goats, and sheep) to Saudi Arabia and the Gulf States through the port of Berbera. Produção agrícola de sorgo e milho, sendo as terras altas de Hargeysa mais adequadas à produção seca, e a região de Haaud, ao pastejo de animais.

A prática tradicional de pecuária exportiva não é de longe verossímel a um contribuinte de uma economia estável, uma vez que não suporta suficientemente uma população crescente. A proibição árabe-saudita de importar pecuária da Somalilândia sob a alegação de que está contaminado têm sortido efeito na região. Somalilândia se encontra dependente de capital enviado por membros da Diaspora que fugiu do país na guerra civil de 1980. O valor estimado da contribuição é de US$300 milhões/ano.

Com a falta de legitimação na arena internacional, a Somalilândia, enquanto estado não-legítimo, não pode recorrer ao Banco Mundial, FMI ou outro apoio internacional, o que gravamente piora sua sucetibilidade à pobreza e desemprego.

SITUAÇÃO POLÍTICA

Somalilândia está preso em uma posição viciosa. Eles estão sendo informados, “Destrua sua nação juntando destruidores do sul (Somália), e vamos reconhecê-lo. Fique fora, com a estabilidade e a democracia, e nós vamos ignorá-lo.” A região vem pressionando incansavelmente nos últimos dezessete anos para apoiá-la na pretensão de ser um Estado soberano.

O objetivo de unir as facções Somali continua hoje, como a Conferência de Arta no Djibuti em 2000, que criou o Governo Nacional Transnacional, clamando pela representação da Somália e Somalilândia como uma entidade única. Tendo sido pressionado por reconhecimento de soberania, Somalilândia optou por não participar das negociações. Somalilândia rejeita o Governo, argumentando que a luta deles por independência é inegociável.

Hoje, a Somalilândia recebe grande suporte na tentativa de reconhecer sua independência como legítima pela comunidade global. Um dos apoiadores, é a UNPO, e o Conselho Senlis. O Conselho argumenta que desde que a Somalilândia foi garantida como independente como um protetorado britânico, em 1960, mesmo que por somente 5 dias, o mesmo reconhecimento de sua independência deve ser restabelecido em políticas globais.

Em resposta ao apelo da Somalilândia, a anterior administração Bush argumentou que a questão da Somalilândia deve ser de resolução da União Africana. Ou seja, os Estados Unidos da América recusam-se a reconhecer a independência das regiões, e continuam a investigar possíveis suspeitos dentro da Somalilândia, acreditando numa possível ligação aos ataques da al-Qaeda em embaixadas americanas no Quênia e Tanzânia. A União Africana segue tímida neste quesito, sugerindo a alteração de fronteiras de países africanos para potencialmente provocar incerteza dentro do continente, e considera, portanto, melhor manter as fronteiras coloniais em tato. Se isso implica que a Somalilândia deve aceitar seu destino como parte da Somália, ou se deve operar sob o pano de fundo da soberania, seguida da aquisição da independência da Grã-Bretanha, permanece incerto.

Além disso, o Presidente Somali, Abdullah Yusuf Ahmed, é fortemente a favor de uma união dos dois territórios; esta atitude, para desespero da Somalilândia, tem ganho maior influência entre os outros países. Enquanto Somalilândia continua a ser um “Estado-em-espera”, simultaneamente continua a encapsular tudo o que é um estado: a presença de uma força militar, uma população nacional, as fronteiras distintas, hino, bandeira, constituição e governo.

Somalilândia tem sofrido uma luta marcante para se defender da liderança tirana de Said Barre, para criar e encorajar a sociedade a se dedicar a preservação de sua cultura herdada, e promover um arranjo político que iguale conhecimento e representação para seu povo.

PERSPECTIVA ENQUANTO MEMBRO DA UNPO
Poder Executivo: 
Somalilândia declara-se independente seguindo a derrubada do poder ditatorial de Said barre em 1991. Desde que o protetorado britânico criou um governo transicional que depende fortemente do uso de anciãos dos clãs de meditação, reuniões e representação igual dos clãs. A representação equalitária para todos os clãs é suprema nos mandatos governamentais.

A eleição mais recente foi em 2005, quando elegeu-se um novo parlamento.

• Presidente: Dahir Riyale Kahin
• Vice presidente: Ahmed Yusuf Yassin

Parlamento:

A Assembleia Legislativa é composta de 2 cadeiras: uma eleita, e a Casa dos Representantes. O presidente e o vice, eleitos, são a cabeça do governo, e cabe ao presidente nominar os membros de cabine que subsequentemente aprovarão a legislação. Em adição, a Somalilândia tem um judiciário independente.

O país tem três grandes partidos políticos:
• Partido Democrático dos Povos Aliados – partido do presidente e do vice
• Partido da Justiça e do Bem Estar
• Partido Kulmiye (Paz, União e Desenvolvimento)

HISTORIA

Em 1884, a atual República da Somalilândia era o Protetorado da Somalilândia, sob governo britânico. Em junho de 1960, o Reino Unido garantiu a independência do povo da Somalilândia, o qual foi qualificado como país independente por 35 estados. O Reino Unido assinou diversos acordos bilaterais com a Somalilândia neste dia e, em adição, o então Secretário de Estado norte-americano, Christian Herter, enviou uma mensagem de congratulações. No entanto, a independência foi por um breve período, durando meros cinco dias.

Em julho de 1960,sob muita disputa, Somalilândia se juntou a Somalia Italiana, formando a República Somali. A união faliu quase instantaneamente devido a questões de representação e poder. A união poderia resultar em quase todas questões e oportunidades políticas e econômicas concentradas no sudeste da Somália, deixando outras regiões aquém. As tensas relações dentro do país eventualmente eclodiram a guerra civil por volta de 1980. Isso emparelhou com o tirânico regimento de Said Barre, a partir de 1969, e Somalia e Somalilândia estavam quase colapsando. Ambos fenômenos acabaram em 1991, seguidos da derrubada de Barre por oponentes de Isaaq do Movimento Nacional Somali, que mais tarde declarou unilateramente que a Somalilândia viria a se tornar a independente República de Somalilândia.

Somalilândia tem feito muito bem em manejar o processo eleitoral. Em 2001, conduziu um referendo que endossou uma nova constituição e reafirmou o status de estado independente. O Instituto da Iniciativa e do Referendo, uma organização internacional sem fins-lucrativos baseada em Washington, concluiu que o referendo foi conduzido “abertamente, lealmente, honestamente, e em larga acordância com procedimentos eleitorais internacionais de reconhecimento”. 97% dos votantes aprovaram a constituição.

Em dezembro de 2002, seis partidos políticos tomaram parte nas eleições municipais em que mulheres da Somalilândia foram autorizadas a participar pela primeira vez.

CULTURA E LINGUAGEM

O Somali é a linguagem oficial, incluindo árabe e inglês. É obrigatório o ensinamento de árabe em escolas e mesquitas. Somali é uma das línguas Cushitic da família afro-asiática.

A maioria da população consiste em muçulmanos sunitas; islamismo é a principal fé e religião. Religião informa normas sociais e práticas, como mulheres usando uma hijab (véu que cobre o corpo, exceto mãos e rosto) em público, e todos se abstendo de jogos, comida de porco, bebida alcoolica.

Há liberdade de casamento, mas ambos do casal devem ser muçulmanos. Casamentos arranjados já não são populares, mas quando ocorrem, a noiva é geralmente muito mais nova que o noivo. Opcionalmente, casar com um primo materno é encorajado como forma de fortalecer as alianças familiares.

FONTE: UNPO

Deixe um comentário

Arquivado em Dossiês

UNPO solicita Ban Ki-moon para falar dos Direitos dos mongóis, tibetanos e os uigures

18 de Julho, Haia – Ao saber que o secretário-geral fará uma visita à República Popular da China esta semana, a Presidência UNPO está pedindo Ban Ki-moon para aumentar a preocupação sobre as contínuas violações dos direitos humanos enfrentados pelos mongóis no interior da Mongólia, os tibetanos no Tibete e os uigures no Turquestão Oriental em suas conversas com os dirigentes chineses.

Transferências da população de colonos chineses em seus países de origem representam uma das maiores ameaças à própria sobrevivência da identidade religiosa, cultural e nacional dos mongóis, tibetanos e os uigures. Seus direitos humanos e liberdades fundamentais continuam a ser sistematicamente violados como recentemente mostrado durante intermináveis repressões brutais por parte ​​da China às manifestações de 2008 no Tibete, 2009 no Turquestão Oriental e 2011 na Mongólia, que resultaram em um elevado número de detenções arbitrárias, de prisão e desaparecimentos forçados.

Em setembro de 2009, a Sra. Navanethem (Navi) Pillay, Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, informou à sessão do dia 12 do Conselho de Direitos Humanos da ONU (CDH) ao focalizar questões específicas globais que “formam as raízes de condições crônicas dos direitos humanos, bem como situações de emergência”. Numa fase inicial, ela declarou: “Segui com preocupação os recentes distúrbios na Região Autônoma de Xinjiang, e aqueles anteriormente na Região Autônoma do Tibete e áreas vizinhas. Embora condenando essa violência e instando as autoridades chinesas a respeitar os direitos humanos na defesa da lei, eu também posso incentivá-los a refletir sobre as causas desses incidentes, que incluem a discriminação e a falta de proteger os direitos das minorias”.

 Semanas após a declaração Navi Pillay, o Comitê da ONU sobre a Eliminação da Discriminação Racial (CERD) instou as autoridades chinesas para encontrar as “causas profundas” dos protestos que eclodiram no planalto tibetano, em 2008, e no Turquestão Oriental, em julho de 2009, e recomenda a China “considerar cuidadosamente as causas de tais eventos, incluindo violência inter-étnica, e as razões pelas quais a situação escalou.”

Acreditamos que o Secretário-Geral tem o mandato independente de falar com as autoridades chinesas sobre as graves situações de direitos humanos enfrentados pelos mongóis, tibetanos e os uigures vivem em territórios sob domínio da China hoje. As autoridades chinesas devem ser instados a receber o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos em uma missão de investigação que inclui tempo suficiente para o Alto Comissariado para averiguar as situações de terra em Inner Mongólia, Turquestão Oriental e Tibet.

Fonte: http://www.unpo.org/article/14580

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized