Arquivo do mês: maio 2012

Por que a não-violência?

O termo não-violência refere-se a uma série de conceitos sobre moralidade, poder e conflito que rejeitam completamente o uso da violência nos esforços para a conquista de objetivos sociais e políticos. Comumente usado como sinônimo para pacifismo, o termo é designado também para designar conflitos sociais que não se utilizam da violência, assim como movimentos políticos e filosóficos que aderem aos mesmos conceitos.

A não-violência é uma atitude frente à vida cuja característica fundamental é a rejeição e o repúdio a todas as formas de violência, é geralmente associada a luta pela independência da Índia, liderada por Mahatma Gandhi, e a luta pelos direitos civis dos estadunidenses de origem africana, que foi liderada por Matin Luter King. Esta visa acabar com a injustiça, fazendo com que o perpetuador da mesma raciocine e desfaça o mal que foi feito por ele.

Em geral, o termo é interpretado como uma negativa – ausência da violência. No entanto, a não-violência, em teoria e prática, pode e deve ser vista como uma força positiva, ativa e potente para atingir determinados objetivos.

A questão levantada, porém, é de se movimentos não-violentos são mais eficazes se houver uma base cultural tradicional para eles na sociedade em questão. Alguns grupos tradicionalmente não-violentos, incluindo os tibetanos, têm sido muito bem sucedidos em permanecer assim em face da severa repressão. Ao mesmo tempo, outros, como o movimento sul-africano  anti-apartheid, não possuem a não-violência como princípio cultural, mas foram bem sucedidos em alcançar seus objetivos.

É notável que muitas culturas indígenas também possuam métodos tradicionais de prevenção e resolução de conflitos que podem ser fontes de força quando a não-violência está ameaçada. Parece que a presença de uma tradição não-violenta pode apoiar ação não-violenta em uma sociedade, contudo não é um pré-requisito necessário para o sucesso.

A ação não violenta pode ser dividida em:

° ações “conflituosas” usadas para travar conflitos e;

° ações tidas como “não-conflituosas”

Ações de conflito podem ser consideradas as que visam gerar mobilizações públicas de massa, tais como cooperação econômica e política; desobediência civil, como greves trabalhistas ou de fome, manifestações e vigílias; base de mobilização, tais como campanhas de escrita de cartas e campanhas destinas à construção de uma consciência política entre as pessoas. Nesse sentido, a ação não violenta pode ser empregue não apenas para a defesa, mas também para o ataque.

Em contraponto se encontram as ações não-conflituosas que podem incluir atividades como negociações e conciliações, geralmente realizadas uma vez que as dinâmicas de poder mudam, e o grupo de condução da campanha tem sido bem sucedido na aquisição de legitimidade suficiente com o qual negociar.

Muitas vezes os governos respondem violentamente a não-violência sofrem com a perda do poder político e econômico, incluindo os lucros provenientes dos recursos naturais ou o acesso à ajuda externa. O que prova que o uso da violência para manter o poder é uma resposta tradicional, mas que pode levar a um conflito em espiral.

Em grande parte dos casos, o uso da violência, seja secreta ou aberta, contra os grupos não destroem o movimento, ele pode sim se tornar uma grupo mais forte e mais comprometido com seus objetivos. Podendo ocorrer o efeito contrário encorajando o grupo atacado a responder com violência, começando assim um ciclo de violência que uma vez iniciado é difícil de parar.

Geralmente as campanhas não-violentas podem ser tão eficazes quanto as violentas, contudo elas exigem sacrifício, paciência e disciplina, além de grande coragem por parte do grupo que deseja emprega-la.  A UNPO acredita que o princípio da não-violência garante não apenas a resolução pacífica como também a legitimidade governamental da minoria que, independente da categoria defendida, age sobre os preceitos da mesma.

Podemos concluir que a “não-violência”, como metodologia de ação pessoal e social, promove ações concretas com o fim de criar consciência do problema da violência, de suas verdadeiras raízes, de suas diferentes formas de manifestação, como violência física, racial, econômica, religiosa, psicológica e moral, ao mesmo tempo em que impulsiona ações exemplares que tendem a erradicar as práticas violentas da faz da Terra.

REFERÊNCIAS:

Movimento Humanista Internacional – A Não-violência Ativa http://www.movimentohumanista.org/index.php/a-nao-violencia-ativa.html

UNPO, Principles – Nonviolencehttp://www.unpo.org/section/2/2

UNPO, International conference – Nonviolence and Conflict (July 21-23, 1997)

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DALAI LAMA – Um líder em busca das resoluções pacíficas

Figura de grande representação perante a UNPO, o líder tibetano Dalai Lama teve grande influência na formação da organização, incluindo a aplicação de seus ensinamentos na Carta da Oficial.

O Dalai Lama é o título de uma linhagem de líderes religiosos da escola Gelug do budismo tibetano, tratando-se de um monge e lama, reconhecido por todas as escolas do budismo tibetano. Também foram os líderes políticos do Tibete entre os século XVII até 1959, residindo em Lhasa. O Dalai Lama é também o líder oficial do governo tibetano em exílio, ou Administração Central Tibetana. “Lama” é um termo geral que se refere aos professores budistas tibetanos. O atual Dalai Lama é muitas vezes chamado de “Sua Santidade” por ocidentais, embora este pronome de tratamento não exista no tibetano, não se tratando de uma tradução. Tibetanos podem referir-se a ele através de epítetos tais como Gyawa Rinpoche que significa “grande protetor”, ou Yeshe Norbu, a “grande joia”. (Wikipédia, 2012)

Atualmente está em exercício o 14º Dalai Lama, Tenzin Gyatso, nascido em 6 de julho de 1935, em uma família de camponeses da pequena vila de Taktser, na provincia de Amdo, situada no nordeste do Tibete. Com dois anos de idade, foi reconhecido como sendo a reencarnação de seu predecessor, o 13º Dalai Lama, Thubten Gyatso.Os Dalai Lamas são tidos como manifestações de Avalokiteshvara ou Chenrezig, o Bodhisattva da Compaixão e patrono do Tibete.

Em 1950, aos 15 anos foi solicitado a assumir a completa responsabilidade política como chefe de estado e de governo, após a invasão chinesa do Tibet. Em 1954, foi a Beijing para tratativas de paz com Mao Tsetung e outros líderes chineses, como Chou En-Lai e Deng Xiaoping.

Seus esforços para alcançar uma solução pacífica para o problema sino-tibetano foram frustrados pelas atrocidades da política chinesa, no leste do Tibete, dando origem a um levante popular. Esse movimento de resistência espalhou-se por outras partes do País, e em 10 de Março de 1959, Lhasa, a capital do Tibete, explodiu em um grande levante. As manifestações da resistência tibetana exigiam que a China deixasse o Tibete, reafirmando a sua independência.

Quando a situação se tornou insustentável, pediu-se ao Dalai Lama que saísse do país para continuar no exílio a luta pela libertação. Sua Santidade seguiu para a Índia, que lhe concedeu asilo político, acompanhado de outros oitenta mil refugiados tibetanos. Hoje há mais de 120.000 tibetanos vivendo como refugiados na Índia, Nepal, Butão e no Ocidente. Desde 1960, Sua Santidade reside em Dharamsala, uma pequena cidade no norte da Índia, apropriadamente conhecida como “Pequena Lhasa”, por sediar a sede do governo tibetano no exílio.

Desde a invasão chinesa, Sua Santidade apresentou vários recursos às Nações Unidas sobre a questão tibetana. A Assembleia Geral adotou três resoluções sobre o Tibete, em 1959, 1961 e 1965.

Em 1963 Sua Santidade apresentou o esboço de uma constituição democrática para o Tibete, que foi denominada “Carta dos Tibetanos no Exílio”. Essa carta defende a liberdade de expressão, crença, reunião e movimento. Oferece também detalhadas linhas de ação para o funcionamento do governo tibetano no que diz respeito aos que vivem no exílio.

Em 1992, Sua Santidade anunciou que a primeira e imediata tarefa para que o Tibete seja libertado será estabelecer um governo interino com a principal responsabilidade de eleger uma Assembleia Constituinte, para criar e implantar uma constituição democrática tibetana. Nesse dia, Sua Santidade transferirá toda a sua autoridade política e histórica para o Presidente interino, passando a viver como um cidadão comum. Ele também afirmou esperar que o Tibete, incluindo suas tradicionais três províncias (U-Tsang, Amdo e Kham), seja federativo e democrático.

Em maio de 1990, as reformas propostas por Sua Santidade deram ensejo à realização de uma administração verdadeiramente democrática para a comunidade tibetana no exílio. O Gabinete tibetano (Kashag), que até então sempre fora indicado por Sua Santidade, foi dissolvido, juntamente com a Décima Assembleia de Deputados do Povo Tibetano (o Parlamento tibetano no exílio). Nesse mesmo ano, tibetanos exilados no subcontinente indiano e em mais de 33 outros países elegeram 46 membros da ampliada 11ª Assembleia Tibetana, numa votação direta. A Assembleia, por sua vez, elegeu os novos membros do Gabinete. Em setembro de 2001, um passo ainda maior para a democratização foi dado quando o eleitorado tibetano elegeu diretamente o Kalon Tripa, ministério-mor do Gabinete, que por sua vez indicou seu próprio Gabinete, a ser aprovado pela Assembleia Tibetana. Na longa história do Tibete, essa foi a primeira vez que o povo elegeu seus líderes políticos.

Em setembro de 1987, Sua Santidade propôs o Plano de Paz de Cinco Pontos para o Tibete, como um primeiro passo na direção de uma solução pacífica para a situação que rapidamente se deteriorava no país. Em sua visão, o Tibete se tornaria um santuário, uma zona de paz no coração da Ásia, em que todos os seres poderiam viver em harmonia, com o delicado equilíbrio ambiental preservado. A China, até o momento, não respondeu positivamente às várias propostas de paz criadas por Sua Santidade. Esses pontos são:

–  Transformação de todo o Tibete em uma zona de paz.

– Cessação da política chinesa de transferência de população, que ameaça a própria existência dos tibetanos como povo.

– Respeito pelos direitos humanos fundamentais dos tibetanos, bem como de suas liberdades democráticas.

– Restauração e proteção do ambiente natural tibetano, e o abandono do uso do território tibetano, pela China, para produção de armas nucleares e como depósito de lixo nuclear.

– Início de negociações sérias sobre o futuro status do Tibete e das relações entre os povos chinês e tibetano.

Discursando no Parlamento Europeu de Estrasburgo, na França, em 15 de junho de 1988, Sua Santidade detalhou minuciosamente o último dos Cinco Pontos desse plano de paz. Ele propôs o estabelecimento de conversações entre chineses e tibetanos para a criação de um governo autônomo das três províncias tibetanas, “em associação com a República Popular da China”. O governo chinês continuaria sendo responsável pela política exterior e defesa do Tibete.

Para Sua Santidade, essa proposta era “o modo mais realista para se restabelecer uma identidade independente do Tibete e restituir os direitos fundamentais do povo tibetano, conciliando ao mesmo tempo os próprios interesses da China.” Enfatizou por outro lado que “qualquer que seja o resultado das negociações com os chineses, o povo tibetano por si mesmo deve ser a autoridade decisória máxima”.

Posteriormente, no entanto, em 2 de Setembro de 1991 (Dia da Democracia Tibetana), o Governo do Tibete no exílio declarou que a Proposta de Estrasburgo não estava mais em vigor: “Sua Santidade, o Dalai Lama, deixou bem claro, em sua declaração de 10 de março, que em razão da atitude fechada e negativa da atual liderança chinesa, percebeu que seu compromisso pessoal com as ideias expressas na proposta de Estrasburgo tornou-se sem efeito, e que se não houver novas iniciativas por parte dos Chineses ele se considerará livre de qualquer obrigação com relação a essa proposta. Entretanto, continua firmemente compromissado no caminho da não violência e em encontrar uma solução para a questão tibetana através de negociações e entendimentos. Sob as atuais circunstâncias, Sua Santidade, o Dalai Lama, não mais se sente obrigado ou limitado a manter a Proposta de Estraburgo como uma base para encontrar uma solução pacífica para o problema tibetano.”

Nos últimos anos, um grande número de universidades e instituições em todo o mundo têm lhe conferido Prêmios da Paz e títulos de Doutor Honoris Causa, em reconhecimento pelos seus escritos sobre a filosofia budista e sua liderança a serviço da liberdade, da paz e da não-violência.

A decisão do Comitê Norueguês do Prêmio Nobel, em 1989, de conferir a Sua Santidade o Prêmio da Paz ganhou reconhecimento e aplauso mundial. A citação diz: “O Comitê deseja enfatizar o fato de que o Dalai Lama, em sua luta para a liberação do Tibete, constantemente se opõe ao uso da violência. Ele, em vez disto, advoga soluções pacíficas baseadas na tolerância e respeito mútuos para a preservação da herança cultural e histórica de seu povo. O Dalai Lama desenvolveu sua filosofia de paz com uma grande reverência por todas as coisas vivas, e um conceito de responsabilidade universal que envolve toda a humanidade e também a natureza. Na opinião do Comitê, o Dalai Lama vem se conduzindo com propostas construtivas e visionárias para a solução de conflitos internacionais, questões de direitos humanos e problemas ambientais globais”.

 

REFERÊNCIAS:

http://www.dalailama.org.br/biografia/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Dalai_Lama

http://www.unpo.org/members/7879

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